ONDE EU ANDEI?

Estava meio disperso, tentando encontrar algo melhor e que me fizesse renascer das cinzas. Vaguei e, pelo visto, acreditei demais. Não foi ruim, apenas era necessário fazer essa caminhada. Acreditei que tudo que deixássemos para trás poderia ser um meio de se resolver os problemas. Mas não me atentei que o mundo dava voltas. E muitas. Nessas longas estradas de uma vida. E não percebi que você me procurava, em cada canto do seu coração. Em cada verso da nossa canção. Em cada estrofe sem refrão. Onde eu andei, nas vezes que me procurava? Por quanto tempo acreditei que tinha tudo, mas as vezes não tinha nada. Deixei mesmo de ser aquele velho eu, mas não percebi que ainda me esperava. Pensei que nessa busca saberia de tudo, e de novo sinto que não sei de nada. Queria ter te ajudado. E assim ter me ajudado, ajudado minha outra metade. Esqueci que da vida, o bom, é sempre se colocar no lugar do outro. Me encontrei, mas me perdi de você. E o mundo é tão grande que acho não irei conseguir encontrá-la novamente. Encontrar a verdadeira você. E eu precisava me encontrar, sem saber que nunca mais a encontraria.
Pensei que estava andando errado, se pararmos para pensar em qual direção devemos tomar ou pessoas que podemos deixar. Desculpa pelas reclamações dos seus atrasos, da falta de paciência e das noites separados. Das péssimas decisões, de perder-me em mim e de não ajudá-la em suas decisões mais simples. De não passear com os cachorros quando queria, de esquecer, ás vezes, de pedir um hambúrguer e a sua batata com cheddar. Desculpa por não saber montar o seu sanduíche do Subway e de não assistir a uma série que você ouviu falar. De esquecer a torneira do banheiro aberta enquanto escovava os dentes, de não escutar as músicas que gostava, na hora que queria me mostrar. Das brincadeiras em momento sérios, dos abraços bruscos e desengonçados. Das crises sem sentido, das faltas de companhia e de não ter lhe dado um último beijo. Desculpe a maneira de pensar, e o modo de olhar e ver sempre algo a mais nas pessoas. Desculpa ter feito você pensar que não a amava mais. Desculpa o silêncio em excesso e o falatório desnecessário, as brigas por besteiras e a forma de lidar com o mundo. Desculpe não conversar muito com seu pai e nem com a sua mãe, mostrando quem eu realmente era. Desculpa não ter ido muitas e muitas vezes tomar café e comer pamonha na casa da sua vó, quando ela chamava. Desculpe não estar ao lado dela nesse momento delicado que vem passando. Desculpa não ter sido mais, ou se fui, ter sido menos. Desculpe não ter falado tudo que eu queria te dizer e por não saber que aquela nossa conversa seria a última. Desculpa por implorar seu amor enquanto me dizia que tinha encontrado uma outra pessoa. Desculpa por ter esquecido, nos últimos dois meses, o quanto você era importante para mim. O meu talismã. Desculpe por não sorrir mais nas nossas fotos, e por ter colocado senha em meu celular e ter te machucado com o dente ao te beijar intensamente. Desculpa por não ter feito a cirurgia de septo, que me aconselhou, e ter escolhido me viciar em remédios de nariz. Desculpe não amar o bichos do jeito que ama e queria que eu amasse e não ter deixado seus cachorros pularem na cama com a gente com medo de sujar o lençol. Desculpa por pensar demais sobre tudo e pela demora de ter saído de casa para morarmos juntos. Desculpa não te-la pedido em casamento quando nós dois queríamos, e pensar em você a toda hora e demorar para entender que não tem mais volta. Desculpa escrever e, só escrever, tudo que sinto, sabe que não sou bom em me expressar. Desculpe à timidez em excesso, o hidratante de pele abundante e a dificuldade em ser eu mesmo. mas sempre me abri com você, sendo sincero ao extremo. Você era tudo e o nada, em uma mesma vida. Desculpe conectar a minha alma com a sua, e ter me tornado dependente de você, mesmo dizendo que o apego leva ao sofrimento. Simplesmente me entreguei à você por completo, e nunca havia feito isso. Desculpe ter incomodado sua paz, mesmo sabendo que não estava em paz. Desculpa sempre querer te ver quando sabia que isso nunca mais iria acontecer. Desculpe as histórias faladas e as escritas sobre você, sabe que eu escrevo com o coração. E, querendo ou não, você era ele. Desculpe o medo de pombo e o medo de cobras quando fomos ao zoológico uma vez. Desculpe por não te ajudar com o seu medo de baratas, confesso que eu também tinha medo. Mas nunca deixei que meu medo fosse mais importante que o seu, apenas queria te ajudar. Desculpe te viciar em refrigerantes e nas músicas do Elton John. Desculpe fazer você assistir meus filmes preferidos dos anos 80 e, além de vicia-la neles, não ter assistido contigo o que mais gostou muitas e muitas vezes. Desculpa não ter tomado açaí com você naquela noite. Desculpa não ter tido paciência para te ensinar a tocar violão. Desculpe não ter vivido intensamente a letra “heaven” do Bryan Adams, que é uma de suas preferidas ou ter parado de escutar a nossa música da banda Simple Mind. Desculpe ser tão intenso e não conseguir odiar você para me ajudar a esquece-la ou não consegui encontrar alguém que me faça tão bem como você me fazia. Talvez encontre. Desculpa. Desculpa por não dizer o que eu queria dizer na hora que tinha de dizer. Desculpe pelos mesmos erros e pelas reclamações em excesso sobre minha vida, sem fazer nada para melhorar. Desculpe por em cada confusão e discussão nossa e de familia, eu ficar calado sem me impor. Me desculpe pelas pequenas coisas que eu deveria ter dito e feito. Desculpe por nunca ter tempo, tanto para as suas quanto as minhas coisas. Desculpa por não ter dito muitas vezes que eu era tão feliz com você ao meu lado. Me desculpe por estar cego e por machucá-la com esse meu jeito de ser com todos e comigo mesmo. Mas você significava mais do que tudo para mim, por mais que não parecesse. Desculpe por não estar com você em todas as vezes que chorava sozinha em seu quarto. Desculpe, as vezes, ter te deixado em segundo plano. Mas você sempre esteve em minha mente. Me desculpe por deixarmos nossa chama se apagar. E desculpe estar atrasado para me desculpar por tudo isso.
Agora entendo aquelas tantas reclamações suas quando nem eu mesmo sabia a tamanha falta que eu fazia. Que você também me fazia. Nós nos fazíamos. Tanta coisa óbvia. Ao voltar não encontrei nada para mim, para você ou para nós dois. Andando em sua rua, passando em sua porta, te olhando, vi que você não estava lá. Cada pergunta direcionada a uma resposta, e você ainda me olhava distante, carregando mais que o mundo em suas costas. Carregando coisas que não deveria carregar e aguentando certas atitudes que também não deveria. Eu apenas te olhava, tentando entender onde você estava nesse tempo todo distantes. Distância que corrói e dói meu peito, me fazendo sentir saudades todos os dias. E ainda tento entender onde eu estava, por onde eu andava nas vezes em que me procurava. Acho que realmente eu não sabia que você era tudo e o nada que me faltava. Dos momentos bons, até as noites solitárias. Fui o mais longe que pude sem saber que não teria volta. Acredito que nunca mais. Escutei o mundo a chamar, me afastando de tudo que me fazia mal. E quando escutei sua voz em meio a tudo, era tarde demais. Estávamos em outra frequência. Eu estava em uma outra estação. E o sussurro era a única coisa que se ouvia em meio ao caos. E seus olhos vazios, mostravam o quão distante você estava de si mesma. Em noites frias, seu agasalho era o medo, a insegurança, a paranóia e falta de amor próprio. E mesmo assim o frio não passou. E nunca iria passar. Eu sei que sinto a sua falta, amor. É uma falta que chega a matar minha esperança. Eu tento me ver em seus olhos, mas há um vazio imenso neles. Onde eu estava enquanto, por entre outras pessoas, me procurava? Está tão distante que não consigo alcançá-la. Criou-se um abismo entre nós, e sinto sua falta. No dia que chorou sem saber o que fazer, foi que percebi o quanto eu te amava e a queria por perto. Sendo seu porto seguro e você meu talismã. Mas acabei indo para longe, perdendo o que mais demorei para encontrar. Sentindo o que sempre tive medo de mostrar. E vi você de longe, vazia de si mesmo e cheia de tudo e todos ao seu redor. Era difícil encontrá-la.
Em uma viagem sem volta, conhecendo diversas pessoas e visitando lugares, vi que a vida é sim uma coisa muito frágil. E que nos preocupamos com tanta besteiras, bobagens e muita coisa irrelevante. E tentei voltar, porque percebi que nada se compara a encontrar a sua metade e depositar todo o seu amor em alguém que realmente te ama. E o amor é assim, coloca tudo que tem a prova. Exige grandes riscos. Mas entendi que somente eu tinha voltado, e você não. Me perguntei onde realmente eu estava enquanto, pelas inúmeras canções de amor, você me procurava? Te dei tudo que eu tinha em mim guardado e o nada, que preenchia os espaços do meu coração. Deixei algumas coisas na cabeceira e em sua janela, imaginando que você realmente era tudo e o nada que me faltava. Realmente acreditei em nós, mas não acreditava em mim mesmo. Por isso voltei, e era tarde demais. Você não estava mais lá. Sei que não posso voltar ao que era, nem desligar essa campainha que é essa saudade. Voltei e vi uma nova realidade, a minha realidade que foi jogada ao vento. E eu sei que, por ter voltado, nunca mais serei o mesmo novamente. Onde eu andei?
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