CONFISSÃO - PART II

                       Resultado de imagem para confissao



Outra vez bêbado. Outra vez madrugada e mais uma vez em tempos para se pensar. Do outro lado há alguém para nós? Existe uma ligação que dure mais que alguns dias, meses ou anos juntos? A sensação dessa madrugada, as 3 da manhã, com uma taça de vinho, é apenas a de saudade e aceitação. Aceitar que ciclos tem começo, meio e fim. Mas o fim é tão ruim quando chega, não é? As vezes nossos pensamentos escapam por entre nossas mãos. E vai de encontro a tudo e o nada. Eu realmente me apeguei ao passado, a um saudosismo excessivo e desnecessário. Aos poucos aprendo a seguir em frente, lembrando que coisas ficam para trás. É uma coisa natural da vida. E se fosse só sentir saudade, só que sabemos que tem sempre algo mais. Independente da forma que for. Estamos sempre em em caminho que tudo se encaixa e pessoas vem e vão, nos apaixonamos mas também nos decepcionamos. Um dia está junto com alguém, compartilhando segredos e momentos e no outro está sozinho e vocês se cruzam e ninguém fala mais nada. Até conhecer outra pessoa e começar a mesma coisa, com histórias passadas. E as mesmas lamentações. Até terminarem novamente. É um ciclo. Estamos presos nisso. Acho que Raul estava certo, e ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez. 



Da janela, nessa noite solitária, eu costumo tragar meu último baseado. Jogo no peito e na cabeça fumaças misturadas a lembranças desnecessárias. E sozinho, nesse apartamento, sinto um vazio enorme que as vezes aparece e não sai. Por um longo tempo. Deixo essa mágoa para trás, alguns dias. Em outros, a felicidade explode no coração. A vida, creio eu, vem em ondas. Igual ao mar. E meditar me ajuda e muito, porque temos que entender que na vida temos bons e maus momentos. A diferença é como lidamos com esses momentos. E algo está errado, sempre está. Do outro lado eu consigo te ouvir. As vezes chorando, as vezes feliz, acho que escuto você me chamar. E qualquer batida ou barulho na porta penso que é você, e é isso que tenho que deixar para trás. Estou aos poucos me livrando dessa corrente que me prende a e esse sentimento vazio e essa saudade de tudo. Das coisas antigas e das que eu nunca vi. Preciso olhar para dentro, outra vez, e me achar nesse abismo que de vez em quando aparece. Eu caio. Simplesmente me perco. E esse vazio as vezes dilata, dilacera e fere. Porque não me movo? Por que os que acreditam em algo verdadeiro não são recompensados. Não que tenha que ser, mas algo concreto, sei lá. Porque o amor, viver com ele e dele, não é para qualquer um. Você não o vê, apenas o sente. E é uma dor tão forte que não tem comparação. Recompensado.



As cruzes que estao em minhas costas me fazem questionar o porque de estamos tristes por algo que aconteceu. Tudo de ruim, de todos os lugares que vivemos e dos acontecimentos voltam tudo junto. É surreal, a serpente sai enquanto montamos sua morte. Entende? Tudo de uma vez. Porque sentir dor, e a aguentar apenas por medo. Como funciona isso? Estou confuso, bêbado e acho que o mundo continua o mesmo, as pessoas que mudam. E talvez precisamos mudar e mais que isso: acreditar em nós mesmo e nas pessoas. Temos que acreditar, eu quero ser alguém que acredita. Estamos longe um do outro e isso sim é amadurecer. Saber que o que mais amou na vida, não está mais tão perto, agora está vivendo outra vida, ou seja, seguindo. E aceitar que as coisas acabam e tudo é mutável e que isso é normal. É uma mente além. Além de disso, cá estou eu: bêbado, chapado e filósofo. Sozinho, com tudo, menos alguém para conversar. Mas conversar com o olhar e o coração. E essas pessoas são raras e, se encontrar a sua, não a deixe ir. Se possível nunca. Ainda acredito nas pessoas, desde atitudes a palavras, e mereço uns dias a mais, é ótimo para abrir o apetite.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

AQUELE SORRISO

SENTADO E PACIENTEMENTE