O DIA EM QUE O FUP SUBIU NO TELHADO!

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“Puta que pariu. Que merda” eu disse batendo e chacoalhando o aquário. Em vão, ele se foi para sempre. Mais um indo embora da minha vida. Parei um momento analisando aquilo tudo. Estava comigo há mais de três anos. Muito para um peixe, eu acho. Oh, que grosseria minha. Nem o apresentei. Seu nome era: Fup! Isso mesmo, escrito dessa maneira. Era um peixe maravilhoso, conhecido com o peixe beta, ou o peixe solitário. O escolhi como mascote, justamente por isso, ser solitário. É o que sou, o que montei para mim. E dois solitários juntos, é uma coisa sincera e verdadeira de se ver. O nome, engraçado mencionar, foi tirado de um livro homônimo onde conta a história de Jonathan “miúdo” que, após ser adotado pelo seu Vovô Jake após a morte seus pais, é obcecado por construir cercas e por caçar um porco do mato chamado Cerra-Dente. Sua vida é pacata, calma e sem maiores afazeres. Um dia, encontra um pato muito pequeno dentro de um buraco de mourão de cerca recém-arrancado pelo Cerra-Dente. Resolve adotá-la e chamá-lo de Fup. Neste momento começam as transformações na vida de Miúdo e de Vovô Jake com a inclusão de Fup em seu cotidiano. Vovô Jake é  um homem franzino, Viciado em jogos e em álcool. Possui um alambique, onde produz uma bebida chamada Sussurro-da-Morte. A receita desta bebida lhe foi confiada por um índio prestes a morrer; a promessa do índio era de que quem bebia o Sussurro-da-Morte seria imortal. Com a inclusão de Fup na vida de Jake, este passa a se dedicar à pata, tentando ensiná-la a voar e dando-lhe de beber o Sussurro-da-Morte. Com um final surpreendente, beirando ao surrealismo o livro preza por expressar as fantasias e conflitos psicológicos dos personagens de forma cômica, além da apresentação de Fup, uma pata de estimação.

Eu te amei Fup, com todas as minhas forças. Acredite. Foi minha companhia num momento da minha vida onde mais precisei. Mais implorei. Estava lá nas conversas comigo mesmo, nas músicas tristes saídas do violão, do primeiro choro de saudade, do acostumar a viver só, das brigas, dos amores verdadeiros e dos vazios, nas noites de sexo, segredos e rompimentos. Da minha felicidade e da elaboração dos meus novos sonhos. De algumas das minhas vitórias, dos meus sorrisos sinceros, dos meus desabafos, das minhas letras favoritas e por ser o primeiro a ouvir as primeiras páginas do meu livro, por mim recitadas. Esteve em um momento decisivo para mim e acordar, depois de anos, e não ver você ali, é algo realmente triste. Chorei a maior parte da noite. Me senti sozinho novamente, como isso? Entre todas as coisas, gostava de você porque me escutava. É um dos poucos que sabia muito sobre mim. Sempre me olhava nos olhos quando me aproximava. Uma noite triste. Lembro de sempre adiar o dia de comprar um aquário maior para um maior conforto. E mais utensílios “aquariano” eu dizia. E sempre adiando, e me desculpa por isso. Estava ainda sofrendo com as pancadas da vida e me curando com as bebidas da noite, com companhiAs que não me preenchiam. Me desculpe. E de novo eu falo, eu te amei Fup. E parte de mim se foi junto com você, se desintegrando no vento as margens de um futuro só. Sem ninguém para ouvir. Sempre fui sozinho na vida, mas com você eu era um sozinho acompanhado. 

Sempre esteve comigo ouvindo minhas lamentações. Entenda Fup, você era uma parte de mim, me entendia. Foi presente de alguém que eu amava muito, e você sabe o quanto. “eu gosto muito daquele peixe solitário, o peixe beta, te falei isso algumas vezes” eu disse uma vez “olha na prAteleira da minha sala, olha” ela me disse outra vez, num outro dia, em um aniversário de namoro e com um sorriso lindo estampado no rosto. E eu fiz, e dei de cara com você. Fiquei tão feliz, não sei porque. Meus olhos brilharam. Foi o meu termômetro, os meus primeiros testes de paciência quando falar com alguém sobre meu término. Acompanhou tudo, das felicidades até o último suspiro da chama seguindo para o vazio existencial e quebra da corrente. Talvez por isso tenha partido também, pela falta de energia a dois e talvez de tantas e tantas lamentações. Era um ligação minha com um passado bom, mas que me fazia mal. E era, às vezes, a sensação que tinha quando olhava para você me olhando. E talvez essa partida, sua subida no telhado, foi porque sentiu que esse amor, que ao mesmo tempo o mantinha vivo, realmente acabou de vez. Rompeu. E talvez, também, tenha sido um sinal. Um sinal de que as coisas realmente mudaram e nunca mAis serão as mesmas. Que eu devo acreditar ainda mais que nada é permanente nessa vida, tudo acaba um dia. Seja a tristeza ou a alegria. Entender que tudo é passageiro e vem e vai com o tempo, para aprendizado ou experiência. Você  e sua ida acabou por romper minha ligação. E talvez esse fosse o momento. O impulso que me faltava. E me foi dado por você. Mas teve um preço, a sua partida.  E sim Fup, eu te amei como uma parte de mim. Fique bem, viu? Acho que agora eu consigo me cuidar sozinho. Depois de meses, pensando, meditando e sozinho, a gente amadurece e aprende a lidar com algumas coisas da vida. Só assim para entender a nós mesmos e fazer o bem. E você foi parte desse processo. Dessa fase.


Enfim, obrigado por tudo. De verdade. Das coisas boas as ruins, com você, ficaram guardadas na memória. E talvez eu fique sozinho novamente, mas com a certeza de ter encontrado uma outra companhia boA e que se parecesse um pouco comigo. Vá em paz, sem medo. 
Ps: tomara que tenham aquários mAiores para você. 


USAdo no livro!!1

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